Passeei-me de mão dada com a chuva,
entre o Mar e o Rio,
e sem saber se as mãos nos meus cabelos eram do vento
ou de um ser gentio!
Dentro de mim o Mar gritava zangado,
e a força das ondas abria crateras na alma da praia [meu canto sagrado]
Refúgio dos meus segredos,
no chão do amor guardados!
Soube-me bem dançar na chuva na aba da praia,
e sentir o fresco no corpo da roupa molhada,
de recolher-me no abraço quente que me esperava
no abrigo das arcadas!
Marcadas no rosto
as lágrimas do Mar!
A cigana da praia não se enganara,
sabia onde a magia do Mar habitava,
seguiu-lhe os passos escondida na sombra dos sonhos
De mãos suplicantes e brilhos nos olhos,
surgiu-lhe do nada...
É que no Mar está o segredo mais profundo,
o princípio e o fim… das coisas do mundo!
Alheado de tudo um pintor louco embrulhava na tela
as ondas furiosas que o Mar emprestava...
Os pincéis e as tintas pareciam jogados à toa...
À toa também o sentir no meu peito
o meu querer saber se
verdade ou mentira as ondas que embrulhava eram:
de um Mar verdadeiro
ou a obra de Arte mais bela que eu já vira!...
lágrima noMar
