terça-feira, 19 de maio de 2009

CORES DE FOGO






lembras-te daquele fim de tarde,
quando o sol dobrava a esquina do mar
naquela praia enfeitiçada?
eu dançava...
dançava
aquela música divina que a tua flauta
tocava!

tempos sem pensamentos
de sentires como cores feitas de fogo
que tu, meu pintor louco misturavas!...
e eu dançava...
dançava
ao ritmo da música que a tua flauta
tocava!

tempos sem tempo!
loucuras naquela praia imaginária que eu queria só p'ra nós!
sinto no rosto aquele beijo
aquele leve toque do teu rosto no meu rosto
num sentir tamanho

o tempo é um espaço sem fim
e o amor até à eternidade!

lágrima noMar



domingo, 10 de maio de 2009

BREVE MADRUGADA





…escrevo-te poema no horizonte
tropeçando nas palavras,

...fecho a porta
para a noite não fugir
[que o sol é teu cúmplice...]
e guardo este momento
para horas de morrer...


de morrer...

para voltar a nascer!...

lágrima



quinta-feira, 7 de maio de 2009

DOS SILENCIOS NAS NOITES





Gosto de ouvir o som dos silêncios nas noites da aldeia,
E do cheiro da lenha queimada que invade as ruas,
Gosto daquela manta fofa onde me embrulho,
E das sombras inquietas do fogo das velas, nas paredes nuas,
Assaltam-me lembranças dos amores, dos amigos, tudo em cadeia…!

Julgara-me habituada à saudade em que me recostara…
Das vozes que me sussurravam palavras com brilhos, largadas na areia,
De escutar no teu ouvido o gemido encantado do Mar…
E de beber do teu lábio a lágrima teimosa que o meu prazer incendeia!
Sentir de novo o fumo do cigarro que eu apagara…!


E aquele sussurrar rouco como onda do mar que se desembrulhava…,
Era sonho longínquo, vontade sentida na pele…!
De sentidos à toa, minha alma sobe e desce calçadas de sonhos,
Levito e deixo o pensamento voar em delírios tamanhos,
Os abraços…, os beijos…, as danças das sombras…, a paixão da pele…!


Veste-me de emoções o sabor que saltita nos meus dedos,
E de inquietações os uivos do vento… pelas frinchas da janela,
É aquela voz rouca e meiga que me mata de saudades, são pedaços de ti,
Surpreendentes sopros de risos e luz, e cores de aguarelas…
… brilhos de olhares salpicaram o céu do meu quarto… de estrelas!

lagrima




sexta-feira, 1 de maio de 2009

SEI PORQUE NAS TUAS MÃOS NASCEM ROSAS





sei porque nas tuas mãos nascem rosas
e sei porque das rosas as pétalas se desfolham
e de como o meu corpo é substância volátil
de alma se vestindo em precisão de ti

perco-me em teu olhar marejado de ternura
e bebo do teu rosto cada gota de amor,
de "imenso" derramada,
grito o teu nome num canto de raiva
que pulsa em silêncio pelo Universo

"... o mecanismo do mundo está assente na destruição e na perda", dizem...

eu quero ter-te
e saber-te
antes de perder-te

digo!...
Lágrima noMar