quinta-feira, 7 de maio de 2009

DOS SILENCIOS NAS NOITES





Gosto de ouvir o som dos silêncios nas noites da aldeia,
E do cheiro da lenha queimada que invade as ruas,
Gosto daquela manta fofa onde me embrulho,
E das sombras inquietas do fogo das velas, nas paredes nuas,
Assaltam-me lembranças dos amores, dos amigos, tudo em cadeia…!

Julgara-me habituada à saudade em que me recostara…
Das vozes que me sussurravam palavras com brilhos, largadas na areia,
De escutar no teu ouvido o gemido encantado do Mar…
E de beber do teu lábio a lágrima teimosa que o meu prazer incendeia!
Sentir de novo o fumo do cigarro que eu apagara…!


E aquele sussurrar rouco como onda do mar que se desembrulhava…,
Era sonho longínquo, vontade sentida na pele…!
De sentidos à toa, minha alma sobe e desce calçadas de sonhos,
Levito e deixo o pensamento voar em delírios tamanhos,
Os abraços…, os beijos…, as danças das sombras…, a paixão da pele…!


Veste-me de emoções o sabor que saltita nos meus dedos,
E de inquietações os uivos do vento… pelas frinchas da janela,
É aquela voz rouca e meiga que me mata de saudades, são pedaços de ti,
Surpreendentes sopros de risos e luz, e cores de aguarelas…
… brilhos de olhares salpicaram o céu do meu quarto… de estrelas!

lagrima




1 comentário:

  1. "a lágrima teimosa que o meu prazer incendeia"... "e voar entre delírios tamanhos"... e ser lágrima... H2O. A teimosia da água que somos a rebentar-nos dos olhos.
    (Eu sou o Zé Miguel dos "deliriospoéticos")

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