Jean Claude Desplanques
Senti-te esta manhã, sorrateiro,
passando em lento trote no teu cavalo de mil cores,
resfolegando contente, debaixo da minha janela,
assobiavas melodia de cativar, qual pássaro belo e provocador,
em tuas vestes de beijos e amor!
sabias que eu ia sentir-te, sabias sim, sabias!...
Desapareces logo depois por esses montes e vales e estradas sem fim,
no galope veloz e elegante de teu cavalo louco,
semeias beijos e afagos de amor, perfumes de jasmim,
me atormentando com os segredos de amor largados em olhares de encanto
na beira da minha janela entreaberta!...
sabias que eu ia sentir-te, sabias sim, sabias!....
E brincas assim comigo, às escondidas, qual criança feliz, rebelde e tentadora,
te mostrando e te escondendo, me fazendo correr no teu encalço
neste jogo belo de xadrêz, em que as pedras que desenhas são
a ânsia, o desejo e o ser feliz,
e os peões as papoilas e margaridas em que tropeço!...
sabias que eu ia sentir-te, sabias sim, sabias!...
Acabei me estatelando no teu abraço perturbador, rendida completamente
Ao teu encanto de cavaleiro fascinante, belo e sonhador!...
Sabias que eu te sentia, sabias sim, sabias!...
lagrima noMar
Comporta, 2008
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