terça-feira, 28 de abril de 2015

QUAL CÉU




*há uma espécie de céu no mar, onde as raias voam como pássaros, 
as estrelas dormem na areia e as nuvens de espuma 
enfeitam o espaço azul*

[Malgorzata Zajac]


em: MAR [pag. 133]
de: Afonso Cruz



domingo, 2 de maio de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

SILOGISMOS



Almada Negreiros


A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.

Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções e disjunções
de espaços e tempo,
nem sequer em morte.

A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?

Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.

(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)

De: Ana Luisa Amaral



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CANÇÃO





Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?

Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
- mãe, dou-lho ou não?

De: Eugénio de Andrade




lágrima noMar




quinta-feira, 28 de janeiro de 2010





Passeei-me de mão dada com a chuva,
entre o Mar e o Rio,
e sem saber se as mãos nos meus cabelos eram do vento
ou de um ser gentio!
Dentro de mim o Mar gritava zangado,
e a força das ondas abria crateras na alma da praia [meu canto sagrado]

                                                     Refúgio dos meus segredos,
                                                     no chão do amor guardados!

Soube-me bem dançar na chuva  na aba da praia,
e sentir o fresco no corpo da roupa molhada,
de recolher-me no abraço quente que me esperava
no abrigo das arcadas!

                                                     Marcadas no rosto 
                                                     as lágrimas do Mar!

A cigana da praia não se enganara,
sabia onde a magia do Mar habitava,  
seguiu-lhe os passos escondida na sombra dos sonhos
De mãos suplicantes e brilhos nos olhos,
surgiu-lhe do nada...

                                                      É que no Mar está o segredo mais profundo,
                                                      o princípio e o fim… das coisas do mundo!

Alheado de tudo um pintor louco embrulhava na tela
as ondas furiosas que o Mar emprestava...
Os pincéis e as tintas pareciam jogados à toa...
À toa também o sentir no meu peito
o meu querer saber se 
verdade ou mentira as ondas que embrulhava eram:

                                                       de um Mar verdadeiro
                                                       ou a obra de Arte mais bela que eu já vira!...

lágrima noMar





segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

FELIZ ANIVERSÁRIO



DIZ QUE SIM...
MINHA!...



Embrulhaste-me no colo de ti
num abraço de amor,
sem eu perceber
beijaste nos meus lábios e
chamaste
MINHA!...

Minha era o nome
de ti
para mim!

Escorriam na pele do teu rosto
gotas brilhantes
de aflição,
escorriam por entre o teu olhar
de menino, ansioso!
Os teus olhos inocentes
clamavam súplicas,
dos teus lábios
sorria-me o silêncio,
e eu podia ouvir
o grito
que se rasgava do teu peito:

Minha..., diz que sim...,
MINHA!...

Tens no meu coração
o teu lugar
de ternura e saudade,
abri a tua mão e guardei nela
o meu adeus,
mas...
porque há adeus que eu não sei dizer,
te lembro,
porque posso ainda hoje
ouvir-te sussurrar:

MINHA!
ÉS MINHA!

(homenagem a alguém que muito, muito me amou, faz muito, muito tempo)

lágrima noMar




terça-feira, 15 de setembro de 2009

SAUDADES





tenho saudades de um olhar que olhava nos meus olhos a cada madrugada
e de um coração que me atirava flores pela janela sempre que pulsava
de lábios que largavam beijos nos meus olhos semicerrados
e dedos de vento que me desprendiam os cabelos molhados

… eram mãos calosas que se estendiam pela bruma da noite
e me tatuavam na pele desenhos de segredos adormecidos no horizonte…
havia uma ponte sem distância… e as nossas mãos respiravam-se
naqueles encontros de sentires tamanhos… e entregavam-se

no céu do meu quarto costumavam brilhar estrelas
e a noite se fazia dia, quando a tua feiticeira Lua me entrava pelas janelas
me espreitava… te espreitava…, roída de ciúmes
tenho saudades dos teus beijos…, e flores…, dos teus perfumes!

sinto o teu toque… só porque te penso…
nas minhas noites há insónias… só porque te pressinto…
agarro na alma a voz do Sol até a paz entrar dentro de mim…
e na memória do sentir: 

o beijo que me desprende do mundo me deixar partir…!


Comporta, 2008
lágrima noMar



domingo, 23 de agosto de 2009






… como pepitas selvagens

frutos da terra
são brilhantes os teus olhos
inquietos
turbulentos como as contra-correntes no Mar

são azuis enquanto doces
beijados p’lo Sol são verde/dourado são paixão
às vezes ficam tristes são cinza de mar bravo
outras chispam raiva são de um negro profundo

os teus olhos, vida minha
são como as flores
são de todas as cores


lágrima noMar




quarta-feira, 15 de julho de 2009




lagrima noMar




terça-feira, 30 de junho de 2009

um poema lindo de: MARGARIDA PINTO CORREIA






Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade

Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é para mim
E quero que me agarre

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver

Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Ela vai rir-se quando lhe contar
Que um dia quis dar-lhe o mundo
Mas não a soube chamar
O seu cheiro passa solto
E leve como o ar

Ele vai ter um sonho por guardar
O tempo não tem escolha
E a alma passou longe
Adeus! Será que é Adeus?
Eu não te perco mais

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade

Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é p'ra mim
E quero que me agarre

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

De: Margarida Pinto Correia






segunda-feira, 29 de junho de 2009

TERNURA





posso tocar-te o rosto
ao estender a minha mão
como o teu olhar toca as estrelas
e desenha os brilhos delas


é na esquina do teu lábio que encontro
a maravilha que procuro
ouso ver os traços
da ternura nas tuas páginas em branco

a flor que ontem me deixaste na beira da janela
prendi-a no decote junto ao seio
trago-te assim comigo
tonta de alegria

como quem brinda em cálices de cristal
o champanhe da vida
sons de Chopin ou Bach
pinceladas de Raquel

embrulhada em cheiros e sabores
e cores
que largaste na minha pele
e sedes de ti


lágrima noMar



quarta-feira, 24 de junho de 2009

TOSSAN... tou chorando, moço!


TE ADORO MENINO!!!




Oh!.... Genteeee.... olhem só que prémio lindo!

Assim meu coração não vai aguentar, não vai não!...
Fiquei feliz Tossan, muito feliz! Beijo!

Obrigada, moço bonito, adorei!

p.s. - sabe, é que esta coisa dos prémios é novidade para mim, nunca aconteceu antes :))
         essa a razão da minha mimalhice... ;)

'bigada
lágrima noMar




domingo, 21 de junho de 2009

O MEU PRIMEIRO PREMIO



Do Menino doMar,
O meu primeiro prémio!



Se eu soubesse, eu explicava como me sinto feliz por este prémio que ganhei, assim, surpreendentemente! Mas eu não sei, não sei dizer!

Apenas:
Obrigada Menino doMar, fiquei feliz, um  feliz assim..., deste tamanhão, e chorona...rss!

lágrima noMar




sábado, 20 de junho de 2009

QUERIA ESCREVER-TE UM POEMA....






queria escrever-te um poema,
um poema de palavras simples,
palavras como flores 
que nascem selvagens pelos campos

com cheiros de pureza
e lágrimas da madrugada

palavras de ternura
na carícia de um beijo

queria solta-las nas tuas mãos
como braçadas de papoilas vermelhas

ondulantes
como brisa de verão 

lágrima noMar



segunda-feira, 15 de junho de 2009

ACORDEI AO ROMPER D'AURORA...






...
Alguém me batia à janela,
Espreitei p'ra ver quem era,
Era o Beija-Flor que te levara
O mel das flores do meu jardim!

Trazia-me o teu recado
Num envelope azul
Com as núvens que colheras no Céu p'ra mim.
Então entreguei-lhe um cestinho

Cheio de Amor e Carinho!
Pedi-lhe que fosse a correr
P'ra que pudesse chegar
Antes do amanhecer.

lagrima noMar




sábado, 6 de junho de 2009

AMAR NA CHUVA






A tua Lua Gorda já me espreita,
Ali, pela janela…!
Toda vestida de prata e brilhantes,
Olha-me de lado…, inchada de vaidades,
Provoca-me…, a atrevida…,
Sabendo que me mata de ciúmes
Do namoro teu e dela…!

Vesti o meu vestido de carmin
P’ra lhe mostrar que eu também sou bela!
O vento levanta-me a saia
E solta-me os cabelos…
… descarada, passeio-me dengosa
Fingindo que não reparo nela…!
Pavoneio-me diante do seu nariz…

Zangada franziu-me o sobrolho
E escondeu-se numa nuvem que passava…,
Espreitava-me sim…, que eu bem a via…!
E tu, todo contente e vaidoso
Segredavas com as estrelas
E guardavas os brilhos delas…!

A nuvem, amiga fiel da tua Lua…,
Chorou com ela grossas lágrimas salgadas
Quando, nos teus olhos, viram os brilhos
Que me oferecias…!
As tontas não sabiam, das nossas roupas molhadas

Das sedes da tua pele 
e da minha

E nem das nossas mãos os clamores desesperados...
Dos dedos no tecer de fios as teias de melaço!…
Bebemos nos lábios o sabor salgado das lágrimas

Da chuva deliciosa!


de: lágrima noMar


terça-feira, 19 de maio de 2009

CORES DE FOGO






lembras-te daquele fim de tarde,
quando o sol dobrava a esquina do mar
naquela praia enfeitiçada?
eu dançava...
dançava
aquela música divina que a tua flauta
tocava!

tempos sem pensamentos
de sentires como cores feitas de fogo
que tu, meu pintor louco misturavas!...
e eu dançava...
dançava
ao ritmo da música que a tua flauta
tocava!

tempos sem tempo!
loucuras naquela praia imaginária que eu queria só p'ra nós!
sinto no rosto aquele beijo
aquele leve toque do teu rosto no meu rosto
num sentir tamanho

o tempo é um espaço sem fim
e o amor até à eternidade!

lágrima noMar



domingo, 10 de maio de 2009

BREVE MADRUGADA





…escrevo-te poema no horizonte
tropeçando nas palavras,

...fecho a porta
para a noite não fugir
[que o sol é teu cúmplice...]
e guardo este momento
para horas de morrer...


de morrer...

para voltar a nascer!...

lágrima



quinta-feira, 7 de maio de 2009

DOS SILENCIOS NAS NOITES





Gosto de ouvir o som dos silêncios nas noites da aldeia,
E do cheiro da lenha queimada que invade as ruas,
Gosto daquela manta fofa onde me embrulho,
E das sombras inquietas do fogo das velas, nas paredes nuas,
Assaltam-me lembranças dos amores, dos amigos, tudo em cadeia…!

Julgara-me habituada à saudade em que me recostara…
Das vozes que me sussurravam palavras com brilhos, largadas na areia,
De escutar no teu ouvido o gemido encantado do Mar…
E de beber do teu lábio a lágrima teimosa que o meu prazer incendeia!
Sentir de novo o fumo do cigarro que eu apagara…!


E aquele sussurrar rouco como onda do mar que se desembrulhava…,
Era sonho longínquo, vontade sentida na pele…!
De sentidos à toa, minha alma sobe e desce calçadas de sonhos,
Levito e deixo o pensamento voar em delírios tamanhos,
Os abraços…, os beijos…, as danças das sombras…, a paixão da pele…!


Veste-me de emoções o sabor que saltita nos meus dedos,
E de inquietações os uivos do vento… pelas frinchas da janela,
É aquela voz rouca e meiga que me mata de saudades, são pedaços de ti,
Surpreendentes sopros de risos e luz, e cores de aguarelas…
… brilhos de olhares salpicaram o céu do meu quarto… de estrelas!

lagrima




sexta-feira, 1 de maio de 2009

SEI PORQUE NAS TUAS MÃOS NASCEM ROSAS





sei porque nas tuas mãos nascem rosas
e sei porque das rosas as pétalas se desfolham
e de como o meu corpo é substância volátil
de alma se vestindo em precisão de ti

perco-me em teu olhar marejado de ternura
e bebo do teu rosto cada gota de amor,
de "imenso" derramada,
grito o teu nome num canto de raiva
que pulsa em silêncio pelo Universo

"... o mecanismo do mundo está assente na destruição e na perda", dizem...

eu quero ter-te
e saber-te
antes de perder-te

digo!...
Lágrima noMar